quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Infecção pelo vírus da imunodeficiência (Parte 3)

Diagnóstico

    Uma análise de sangue relativamente simples e muito exacta (o chamado teste ELISA) pode ser utilizada para determinar se uma pessoa está infectada com o VIH. Com este exame é possível detectar anticorpos contra o vírus. Os resultados são confirmados rotineiramente por testes cada vez mais precisos. No entanto, podem passar várias semanas ou mais tempo desde que se verifica a infecção até que a pesquisa de anticorpos resulte positiva. As análises altamente sensíveis (antigénio P24) podem detectar o vírus desde o início e, na actualidade, são usadas para analisar o sangue doado para transfusões.

     Várias semanas depois da infecção, os afectados desenvolvem, geralmente, anticorpos contra o VIH. Um reduzido número de pessoas infectadas não forma anticorpos em quantidade detectável durante vários meses ou mais tempo ainda. Em qualquer caso, o teste ELISA detecta os anticorpos em todas as pessoas infectadas e quase todas as que os possuem estão infectadas e são contagiosas.

     Se o resultado do teste ELISA indicar que existe infecção por VIH, repete-se a análise sobre a mesma amostra de sangue para confirmar o que se descobriu. Se os resultados forem novamente positivos, o passo seguinte é confirmá-los com uma análise de sangue mais exacta e dispendiosa, como o teste de Western blot. Esta análise também identifica os anticorpos contra o HIV, mas é mais específica que o teste ELISA. Por outras palavras, se o teste Western blot der um resultado positivo, a pessoa está, com quase toda a certeza, infectada pelo VIH.


Prognóstico

    A exposição ao VIH nem sempre resulta em infecção e algumas pessoas que foram reiteradamente expostas não ficam infectadas. Além disso, muitos infectados têm estado bem durante mais de uma década. Sem o benefício dos tratamentos actuais, uma pessoa infectada com HIV tinha entre 1% e 2 % de possibilidades de desenvolver SIDA nos primeiros anos depois da infecção; a probabilidade continuava até aproximadamente 5 % por cada ano a partir de então. O risco de a desenvolver nos primeiros 10 ou 11 anos depois de contrair a infecção era aproximadamente de 50 %. Entre 95 % e 100 % das pessoas infectadas desenvolverão finalmente a SIDA, mas os efeitos a longo prazo dos medicamentos de criação recente e o seu uso combinado podem melhorar esta perspectiva.

     Os primeiros fármacos utilizados para tratar o VIH, como o AZT (zidovudina) e o ddI (didanosina), reduziram o número de infecções oportunistas e aumentaram a expectativa de vida destes doentes e as combinações destes medicamentos produzem melhores resultados. Os fármacos nucleósidos mais recentes, como o d4T (estavudina) e o 3TC (lamivudina), assim como os inibidores da protease do VIH, como por exemplo os saquinavir, ritonavir e indinavir, são inclusivamente mais potentes. Em alguns doentes, a terapêutica de combinação reduz a quantidade de vírus no sangue até valores indetectáveis. Contudo, até ao momento não se conseguiram curas.

     As técnicas para medir a quantidade de vírus (ARN no plasma ou carga viral) no sangue [por exemplo, as provas de reacção em cadeia da polimerase (PCR) e o teste de separação do ácido desoxirribonucleico (bADN)] podem ajudar o médico a observar os efeitos dos medicamentos. Os referidos valores variam amplamente desde menos de poucas centenas a mais de um milhão de vírus que contêm ARN por mililitro de plasma e ajudam a elaborar um prognóstico para o doente. Os fármacos mais potentes costumam baixar a sua concentração de 10 a 100 vezes. A capacidade que têm as novas combinações de medicamentos e as técnicas de controlo para melhorar a sobrevivência são prometedoras, mas até ao momento não foram totalmente verificadas.

     No início da epidemia de SIDA, muitos afectados apresentavam uma rápida diminuição da sua qualidade de vida depois da sua primeira hospitalização e passavam habitualmente grande parte do tempo que lhes restava no hospital. A maioria morria aos dois anos após a contracção da doença.
Com o desenvolvimento de novos fármacos antivirais e de melhores métodos para tratar e prevenir as infecções oportunistas, muitos infectados mantêm as suas aptidões físicas e mentais durante anos após lhes ter sido confirmado o diagnóstico de SIDA. Como consequência, esta converteu-se numa doença tratável, embora ainda não curável.


Prevenção

    Os programas para prevenir a propagação do VIH têm-se centrado principalmente em educar o público quanto à transmissão do vírus, numa tentativa de modificar o comportamento das pessoas mais expostas. Os programas educativos e de motivação tiveram um êxito relativo porque a muitas pessoas custa mudar os seus hábitos sexuais ou de dependência. Impulsionar o uso de preservativos, que é uma das melhores maneiras de evitar a transmissão do VIH, continua a ser um assunto controverso. Fornecer agulhas esterilizadas aos toxicodependentes, outro método que, sem dúvida alguma, reduz a propagação da SIDA, também tem encontrado resistência entre os cidadãos.

     Até ao momento, as vacinas para prevenir a infecção por VIH ou mesmo para atrasar a sua progressão têm resultado pouco eficazes. Estão a ensaiar-se dezenas de vacinas e muitas têm falhado, mas a investigação continua.

     Os hospitais e as clínicas não costumam isolar os pacientes VIH-positivos, a menos que tenham infecções contagiosas, como por exemplo tuberculose. As superfícies contaminadas pelo VIH podem ser limpas e desinfectadas facilmente porque ele é inactivado pelo calor e graças à acção de desinfectantes vulgares como o peróxido de hidrogénio (água oxigenada) e o álcool. Os hospitais dispõem de procedimentos rígidos quanto à manipulação de amostras de sangue e outros humores corporais, com o fim de evitar a transmissão do vírus e outros microrganismos contagiosos. Estas precauções universais aplicam-se a todas as amostras de todos os doentes, e não só às que provêm de um infectado.


Tratamento

    Na actualidade existem muitos medicamentos para o tratamento da infecção, incluindo os inibidores nucleósidos da transcriptase reversa, como por exemplo o AZT (zidovudina), o ddI (didanosina), o ddC (zalcitabina), o d4T (estavudina) e o 3TC (lamivudina); os inibidores não nucleósidos da transcriptase reversa, como a nevirapina e a delavirdina; e os inibidores da protease, como por exemplo os saquinavir, ritonavir e indinavir. Todos evitam que o vírus se reproduza e, em consequência, retardam a progressão da doença. O HIV costuma adquirir resistência a todos estes fármacos quando utilizados isoladamente, num período variável que pode ir de poucos dias a alguns anos, dependendo do tipo de fármaco e do paciente.

    O tratamento parece ser mais eficaz quando se combinam pelo menos dois fármacos, o que pode atrasar o aparecimento da síndroma nos VIH-positivos e prolongar a sua vida em comparação com o efeito que um só produz. Não se sabe com segurança em que momento a partir da infecção se deve começar o tratamento, mas as pessoas com valores elevados de VIH no seu sangue, e mesmo aquelas que têm níveis altos de CD4+ e ausência de sintomas, devem ser tratadas. Estudos anteriores que pareciam demonstrar que não haveria nenhuma vantagem em começar o tratamento de forma precoce não são necessariamente relevantes agora que se desenvolveram muitos outros medicamentos e combinações. Todavia, o custo e os efeitos acessórios e dois ou três tratamentos podem ser demasiado elevados para algumas pessoas que vivem em países industrializados e para muitas das que vivem em países menos evoluídos.

     Os fármacos AZT, ddI, d4T e ddC podem provocar efeitos acessórios, tais como dor abdominal, náuseas e dor de cabeça (especialmente o AZT). O uso prolongado do AZT pode lesar a medula óssea e provocar anemia. O ddI, ddC e d4T podem danificar os nervos periféricos e o ddI pode lesar o pâncreas. Entre os nucleósidos, o 3TC parece ter a menor quantidade de efeitos acessórios.

    Os três inibidores da protease podem provocar efeitos colaterais, incluindo náuseas, vómitos, diarreia e mal-estar abdominal. O indinavir produz um aumento ligeiro e reversível dos enzimas hepáticos que não provoca nenhum sintoma e pode causar uma dor intensa de costas (cólica renal) semelhante à que provocam os cálculos renais. O ritonavir tem a desvantagem de elevar e fazer descer os valores de muitos outros medicamentos através dos seus efeitos sobre o fígado. O saquinavir pode ser melhor tolerado, mas não se absorve bem e por consequência, não é tão eficaz, pelo que é dispensado desde 1996.

     É habitual prescrever muitos medicamentos aos doentes com SIDA, para prevenir as infecções. Para evitar a pneumonia Pneumocystis, quando o número de linfócitos CD4 baixa até menos de 200 células por microlitro de sangue, a combinação de sulfametoxazol e trimetoprim é altamente eficaz.

    Esta combinação também evita as infecções cerebrais por Toxoplasma. Nas pessoas com um número de linfócitos CD4+ inferior a 75 ou 100 células por microlitro de sangue, a azitromicina tomada semanalmente, a claritromicina ou então a rifabutina tomada diariamente podem evitar as infecções causadas por Mycobacterium avium. As pessoas que recuperam de meningite criptocócica ou as que sofrem de surtos repetidos de aftas (infecções da boca, do esófago ou da vagina pelo fungo Candida) podem tomar fluconazol, um medicamento antimicótico, durante períodos prolongados. As pessoas com episódios recorrentes de infecções causadas por herpes simples na boca, nos lábios, nos órgãos genitais ou no recto podem necessitar de um tratamento prolongado com o antiviral aciclovir para evitar recaídas.


O que é um retrovírus
O vírus da imunodeficiência humana (VIH) é um retrovírus, um tipo de vírus que armazena informação genética como ARN e não como ADN. Quando o vírus entra numa célula hospedeira, liberta o seu ARN e um enzima (transcriptase reversa) e em seguida cria ADN usando o ARN viral como modelo. Depois o ADN viral é incorporado no ADN da célula hospedeira.

  Cada vez que uma célula hospedeira se divide, faz também uma nova cópia do ADN viral integrado juntamente com os seus próprios genes. O ADN viral pode controlar as funções da célula (pode tornar-se activo), fazendo com que esta produza novas partículas do vírus. Estes novos vírus são libertados da célula infectada para invadir outras células.


Estratégias para evitar a transmissão do VIH

Para as pessoas não infectadas
  • Abstinência.
  • Sexo seguro (com protecção).
Para as pessoas VIH-positivas
  • Abstinência.
  • Sexo seguro (com protecção).
  • Não efectuar doações de órgãos nem de sangue.
  • Evitar a gravidez.
  • Notificar os parceiros anteriores e futuros.
Para aqueles que consomem drogas
  • Evitar partilhar agulhas ou utilizá-las várias vezes.
  • Começar programas de recuperação.
Para profissionais médicos e estomatologistas
  • Usar luvas de borracha cada vez que exista a possibilidade de contacto com fluidos corporais.
  • Usar e elimin correctamente as agulhas.


 
 

1 comentário:

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